Brincar não é “só diversão”. Para a criança, o brincar é linguagem, é aprendizado, é forma de entender o mundo e a si mesma.
Quando uma criança brinca, ela está experimentando emoções, testando limites, desenvolvendo habilidades cognitivas, sociais e motoras — tudo isso de maneira natural, leve e prazerosa 💛
Se você é mãe, educadora ou profissional da infância, provavelmente já se perguntou se existe um “tipo certo” de brincadeira para cada idade ou por que algumas crianças preferem brincar sozinhas enquanto outras buscam companhia o tempo todo.
A resposta está nas fases do brincar.
O que são as fases do brincar e por que elas são importantes?
As fases do brincar representam as formas como a criança brinca ao longo do seu desenvolvimento.
Elas não surgem de forma rígida ou engessada, nem seguem datas exatas. Cada criança tem seu tempo, sua personalidade e suas experiências.
Ainda assim, essas fases ajudam pais e educadores a compreender comportamentos comuns, evitar comparações desnecessárias e oferecer estímulos mais adequados à idade e ao momento da criança.
Além disso, entender essas fases evita uma expectativa muito comum (e injusta): achar que a criança “não sabe brincar direito”, quando na verdade ela só está vivendo a fase correspondente ao seu desenvolvimento.
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As 7 fases do brincar e como elas se manifestam
Brincar desocupado (ou brincadeira não estruturada)
Essa é a fase mais inicial do brincar e costuma aparecer principalmente nos bebês, embora também possa surgir em crianças maiores em momentos de observação.
Nessa fase, a criança parece não estar brincando “com nada específico”.
Ela observa o ambiente, movimenta o corpo, balança as mãos, olha objetos, sons e pessoas. Pode parecer aleatório para o adulto, mas não é.
Aqui, a criança está:
- Explorando sensações
- Observando o mundo ao redor
- Organizando estímulos visuais e sonoros
- Desenvolvendo atenção e curiosidade
Como estimular:
- Ofereça um ambiente seguro e tranquilo
- Deixe objetos simples por perto (panos, brinquedos macios, objetos do dia a dia)
- Evite excesso de estímulos ao mesmo tempo
Brincar solitário
Nesta fase, a criança brinca sozinha, mesmo quando há outras crianças por perto. Isso é absolutamente normal e saudável, especialmente na primeira infância.
Ela escolhe seus brinquedos, cria suas próprias ações e não demonstra interesse em compartilhar ou interagir naquele momento.
O que a criança desenvolve aqui:
- Autonomia
- Concentração
- Imaginação individual
- Capacidade de iniciar atividades sozinha
É importante saber: brincar sozinho não significa solidão. Pelo contrário, é uma fase essencial para a construção da independência emocional.
Como apoiar:
- Respeite o espaço da criança
- Evite forçar interações
- Observe com interesse, sem interferir o tempo todo
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Brincar observador
Aqui, a criança observa atentamente outras crianças brincando, mas ainda não participa ativamente.
Ela aprende vendo, escutando e analisando.
Muitos adultos se preocupam nessa fase, achando que a criança é tímida ou “não se enturma”, mas essa observação faz parte do processo de aprendizagem social.
Nessa fase, a criança:
- Aprende regras sociais
- Observa comportamentos
- Processa interações
- Ganha segurança emocional
Como ajudar:
- Não rotule a criança como tímida
- Dê tempo para que ela se sinta segura
- Valide suas emoções e curiosidade
Brincar paralelo
No brincar paralelo, duas ou mais crianças brincam lado a lado, com brinquedos semelhantes, mas sem interação direta.
Cada uma está focada na sua própria atividade.
Essa fase é muito comum entre crianças pequenas e é um passo importante rumo à socialização.
Aqui, a criança aprende:
- A dividir espaço
- A respeitar a presença do outro
- A observar novas formas de brincar
- A lidar com pequenas frustrações
Dica importante:
Não exija que a criança compartilhe tudo o tempo todo. O respeito ao tempo emocional dela fortalece a segurança e a empatia no futuro.
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Brincar associativo
Agora a criança começa a interagir. Ela conversa, troca brinquedos, comenta o que está fazendo, mas ainda não existe uma organização clara ou um objetivo comum.
As brincadeiras são espontâneas, mudam rapidamente e podem gerar pequenos conflitos — o que também faz parte do aprendizado.
Nesta fase, a criança desenvolve:
- Comunicação
- Linguagem
- Noções iniciais de cooperação
- Expressão de sentimentos
Como estimular:
- Ofereça brinquedos que favoreçam interação
- Ajude a mediar conflitos com calma
- Ensine a nomear emoções
Brincar cooperativo
Aqui surge o brincar em grupo de verdade. As crianças combinam regras, definem papéis e compartilham objetivos.
É comum em brincadeiras de faz de conta, jogos simbólicos e atividades em grupo.
Esse tipo de brincar é riquíssimo para o desenvolvimento infantil.
A criança aprende a:
- Trabalhar em equipe
- Respeitar regras
- Resolver conflitos
- Exercitar empatia
- Desenvolver autocontrole emocional
Importante lembrar:
Nem todas as crianças chegam a essa fase ao mesmo tempo.
Algumas transitam entre fases, e isso é totalmente natural.
👉 Ler: Como estimular o desenvolvimento infantil: Dicas práticas
Brincar simbólico ou faz de conta
Embora o brincar simbólico possa aparecer junto ao brincar cooperativo, ele merece destaque próprio por sua importância.
Aqui, a criança transforma objetos, cria histórias, assume papéis e recria situações do cotidiano.
Um pedaço de madeira vira um telefone, uma caixa vira um carro, e a criança vira médica, professora ou super-heroína.
Essa fase é essencial para:
- Desenvolvimento da imaginação
- Elaboração de emoções
- Resolução simbólica de conflitos
- Construção da identidade
Como enriquecer essa fase:
- Ofereça objetos simples e abertos
- Participe da brincadeira quando convidado
- Evite dirigir demais a brincadeira
As fases do brincar acontecem sempre nessa ordem?
Essa é uma dúvida muito comum — e a resposta é: não de forma rígida.
As fases do brincar não funcionam como degraus fixos. A criança pode:
- Vivenciar mais de uma fase ao mesmo tempo
- Voltar a fases anteriores em momentos de insegurança
- Avançar mais rápido em algumas fases do que em outras
O mais importante não é “em qual fase a criança está”, mas se ela tem espaço, tempo e segurança para brincar livremente.
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O papel do adulto no desenvolvimento do brincar
Pais, mães e educadores não precisam “ensinar a brincar”, mas sim criar condições para que o brincar aconteça.
Isso inclui:
- Tempo livre sem excesso de telas
- Ambiente seguro e acolhedor
- Objetos simples e acessíveis
- Presença afetiva, sem controle excessivo
Brincar é coisa séria — e é através dele que a criança constrói aprendizagens profundas que levam para a vida inteira 🌱
Conclusão
Entender quais são as 7 fases do brincar é um convite para olhar a infância com mais empatia, menos pressa e mais respeito.
Cada brincadeira, por mais simples que pareça, carrega um universo de descobertas, emoções e aprendizados.
Quando respeitamos o tempo da criança e valorizamos o brincar como parte essencial do desenvolvimento, estamos oferecendo algo muito maior do que entretenimento: estamos oferecendo base emocional, cognitiva e social para toda a vida.
Se tem algo que toda criança precisa, é de tempo para brincar — e de adultos que confiem nesse processo.
Perguntas frequentes sobre as fases do brincar
Em qual idade a criança passa por cada fase do brincar?
Não existe uma idade fixa. As fases dependem do desenvolvimento individual, das experiências e do ambiente da criança.
É normal meu filho preferir brincar sozinho?
Sim. O brincar solitário é uma fase importante e saudável do desenvolvimento infantil.
Devo estimular meu filho a brincar com outras crianças?
Você pode oferecer oportunidades, mas nunca forçar. A socialização acontece naturalmente quando a criança se sente segura.
Brincar realmente ajuda no aprendizado?
Sim. O brincar é uma das formas mais completas de aprendizado na infância, envolvendo emoções, corpo, pensamento e relações sociais.
